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Chegou a hora de viver uma vida mágica

Desde que eu me lembro, eu tenho poderes mágicos.

Eles começaram quando eu era pequena. Eu lembro de fechar a porta do meu quarto e decretar que minhas bonecas poderiam viver do jeito que quisessem. Um mundo sem sofrimento, onde elas podiam namorar outras bonecas ou o Ken, elas podiam ficar em casa cuidando dos filhos ou serem astronautas. Eu pintava desenhos que eram sempre lindos e escrevia livros que com certeza seriam publicados assim que alguém do mundo lá fora descobrisse o quanto tudo aquilo era maravilhoso.

Na adolescência eu desenvolvi um novo patamar de magia. Eu tinha a capacidade de irritar qualquer pessoa que eu quisesse. Se Dalai Lama tivesse passado por mim… pobrezinho! Vocês iam ver o cara perdendo as estribeiras. Eu gostava muito de fazer um ritual com meus professores chamado “ser-agoniantemente-petulante”. Eles iam à loucura.

Foi por essa época também que eu percebi que meus sonhos eram pura magia. Eu sonhava com anjos que me traziam mensagens. O mar falava comigo quando eu estava muito triste ou com muita raiva. Ou confusa. Ele me dizia coisas para me acalmar e me emprestava suas águas que saiam dos meus olhos.

E vinha o vento me fazer carinho e secar minhas lágrimas.

magia do mar

De alguma forma, eu desenvolvi a arte de identificar desarmonias nas pessoas antes mesmo de elas falarem qualquer coisa. A postura, o modo de caminhar, de respirar, de olhar. Isso já me dizia tudo.

Foi meu pai que me ensinou que para ganhar uma briga civilizadamente eu teria que ser rápida e boa com as palavras. Então desenvolvi o super poder de cortar as pessoas com palavras.

Eu posso fazer alguém chorar só de apontar um defeito. E eu sabia que era muito poderosa.

Descobri então a magia do isolamento… foi o truque mais difícil de desfazer. É um poder viciante. Isolar-se é uma solução de emergência para o sofrimento, mas infelizmente não trata o problema. E a deusa sabe o quanto ainda tomo doses cavalares desse remédio.

Depois de adulta que fui entender as palavras da minha mãe de que “existe magia boa e magia ruim e às vezes a diferença entre as duas é quase imperceptível”.

Foi só quando descobri a magia de estar apaixonada que consegui entender que não era legal fazer as pessoas chorarem. E que se o que eu mais gostava na vida era fazer as pessoas rirem, essa minha mágica não tava dando muito certo.

Aí eu entrei em contato com uma das magias mais fortes que eu conheço: o poder da transformação. Que me levou a viajar pela América do Sul e entrar em contato com mulheres sábias chilenas que me ensinaram a magia do afeto e do cuidado com um estranho como se fosse da família.

E desse jeito eu comecei a aprender o que viria a ser meu grande trunfo. O feitiço perfeito, pra ganhar o Oscar da Bruxaria. Era um poder novo, uma magia que eu não entendia muito bem como funcionava. Precisei de muitos mestres para entender.

Algumas mestras me ensinaram a empatia de oferecer ajuda ao invés de cobrar prazo dos colegas de trabalho, de entender que tudo bem se alguém que você gosta muito não gosta de você. A ligar pra mãe para saber como ela estava e gerar uma relação mais saudável com esse simples ato.

Depois comecei a ouvir vozes bem naquela hora em que você tá adormecendo. Sabe quando você não tá mais acordado, mas ainda não dormiu? Não eram sonhos, eram espíritos que me falavam em uma língua que eu não conhecia.

Eu só entendia que eu tinha que viajar. Que quando eu viajasse eu ia descobrir tudo aquilo que eu buscava. Que nenhum filme de bruxa seria capaz de mostrar uma magia tão poderosa quanto a que eu iria descobrir nessa viagem.

Então eu fui. Descobri o poder da devoção, de abrir o coração. De conectar com o feminino em mim e intuir o que eu quisesse. Aprendi telepatia. Aprendi a mudar o humor das pessoas ao meu redor simplesmente mudando a freqüência do meu próprio pensamento.

Aprendi que o orgulho aprisiona e que o poder pode te colocar em roubadas monstruosas. Com direito a vampiros, cavernas, vudu, aprisionamento energético.

Eu voltei e sentia que tinha me aberto para uma magia muito gigante, mas que eu não entendia ainda o que era… Para descobrir tomei ayahuasca, raspei o cabelo, fiz rituais xamânicos, cursos de terapias, fui entrevistar indígenas, constelação, números quânticos, psicoterapia, meditação, silêncio.

E assim, da mesma forma que a gente só percebe o quanto o filho cresceu quando vai medir a altura – ou quando a blusa fica curta – um dia eu percebi que tinha desenvolvido poderes mágicos fenomenais maiores que o gênio do Aladim.

E esse poder eu chamei de AMOR. Auto-amor, amor-próprio, amor pela terra, por estar viva, pela água, pela minha casa, pela minha história, pelos que já foram, pelos que estão e pelos que ainda virão. Por quem eu amo e por quem eu não vou com a cara. E que no amor cabem todas as “eus mágicas” que já existiam antes.

Esse poder cura qualquer coisa que a gente quiser.

Ainda tenho dificuldade de tirar essa ferramenta da minha mala de bruxa, não vou mentir. Mas é a medicina mais eficaz. E a magia mais forte que eu conheço. E ta aí, de graça, pra quem quiser usar. O amor flui de dentro fora e de fora pra dentro também. É infinito. É o conteúdo entre o próton e o elétron. Tá em tudo, é só deixar ser.

Desde que eu me lembro, eu tenho poderes mágicos. Todo mundo têm.

Luna
Luna
Terapeuta holística com formações na Índia, Tailândia e Brasil.

1 Comment

  1. Avatar Adriana Vasconcelos disse:

    Texto incrível, também gostaria de descobrir qual o meu propósito no mundo; como foi esse processo pra você, em que momento você percebeu a necessidade de buscar suas respostas? Tem alguma dica/conselho?

    Apesar de nos conhecermos, nunca tive a oportunidade de perguntar pra você.

    Desejo muita prosperidade para você! 💝

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